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Artigo de dom walmor

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Feliz, o promotor da paz

“Bem-aventurados os que promovem a paz.” Há de se ter bem presente, nestes tempos de tantas guerras, este ensinamento capital de Jesus. O promotor da paz reveste o próprio coração de grande nobreza e trilha pelos caminhos de uma conduta irrepreensível. Essa irrepreensibilidade é incontestável alavanca para produzir frutos indispensáveis. Na contramão da paz, muitas guerras impõem perdas inumeráveis, irreparáveis. Cenários de desigualdade social, distantes do desenvolvimento integral, têm raízes nos corações que escolhem, por pequenez, patrocinar confrontos. Renunciar à promoção da paz, por ressentimentos, mesquinhez ou outro motivo, é caminhar nas veredas do adoecimento, da perda de tempo, quando a humanidade tem muitas urgências. Significa distanciar-se do amor. Por isso, compreende-se a razão de Jesus Mestre apresentar, na abertura da Carta Magna do Sermão da Montanha, Evangelho segundo São Mateus, a indicação essencial para que a humanidade alcance êxito. E ao se tocar no tema da bem-aventurança da paz, há de se fazer referência a cada pessoa como coração de paz. Ter um coração de paz faz a diferença em tudo o que se realiza.

Hospedar no próprio coração o ódio, rancores, ou tantos outros sentimentos relacionados ao mal, é optar pelo fracasso. Significa renunciar à semeadura diária de uma alegria duradoura, possível a todos os seres humanos. Os trilhos da promoção da paz são abrangentes e precisam ser percorridos por toda a humanidade – para que se efetive duradoura alegria, possível a todo filho e filha de Deus, o Deus da paz. Um passo importante e de impactantes efeitos, em vista de se cultivar um coração de paz, é exercer o princípio cristão de não se pagar o mal com o mal, mas pagar o mal com o bem. Importa, pois, o amor. Isto não significa desconsiderar a justiça, que precisa ser efetivada, com a sua força corretiva e educativa. Ao contrário, pois a justiça é degrau imprescindível para se amar de verdade. Assim, no horizonte do amor e da justiça seja consolidada a família humana como comunidade de paz. A bandeira a ser defendida e promovida é a consciência de que os povos da terra são chamados a estabelecer entre si relações de solidariedade e colaboração, superando os desvarios de dominações e de depredações.

Para consolidar uma comunidade de paz envolvendo toda a humanidade, a família, instituição que é a primeira escola de humanização – tem especial papel. Compreende-se a urgência de se garantir às famílias condições fundamentais para que sejam sempre berço da vida e do amor. Por isso, a inegociável importância de se prestar atenção nos componentes fundamentais da paz, ensinamento forte e interpelante da Doutrina Social da Igreja Católica: justiça e amor entre irmãos, autoridade dos pais, serviço carinhoso aos fragilizados e limitados, ajuda solidária nas necessidades da vida, incluindo a disponibilidade para acolher o outro, praticando o perdão, força que possibilita a reconciliação de corações. Não se avança na promoção da paz sem o espírito de misericórdia.

A misericórdia cria a disposição para que sejam abraçadas as causas dos pobres e excluídos, profeticamente abandonando as costumeiras zonas de conforto. Assim, cria-se a força para enfrentar discriminações, perseguição, pobreza e a terrível degradação ambiental, com seus incontáveis impactos na destruição da paz, do planeta. O olhar misericordioso, com a priorização dos pobres, é decisivo na construção da paz. Possibilita avanços que vão além daqueles alcançados por formalidades de protocolos ou convênios que, não raramente, descumprem prazos, atrasando a efetivação de soluções para muitos problemas. Também nesse sentido, é inadiável empreender na promoção da boa política, um desafio para a humanidade.

A flor frágil da paz, na poesia inspiradora de grandes nomes da história, precisa desabrochar entre as pedras da violência e nos ventos das desolações, enxugando lágrimas de pobres e indefesos. São Paulo VI, em um importante documento da Doutrina Social da Igreja, aponta a necessidade de se tomar a sério a política, em todos os níveis. Isto significa afirmar o dever de todos, cidadãos e cidadãs, de reconhecerem a realidade concreta e o valor da liberdade para efetivar escolhas. Todos juntos procurando o bem da cidade, da nação e da humanidade. Assim, a “política melhor”, detalhada pelo Papa Francisco na Carta Encíclica Fratelli Tutti, é aquela que serve decisivamente na promoção dos direitos humanos, imprescindíveis para se conquistar a paz.

Reconheça-se a urgência de se enfrentar as impressionantes difusões sociais e políticas do mal, resultando em anarquias, desordem, injustiças e violências. Uma tarefa que pede, de cada pessoa, o cultivo do coração de paz. E para bem exercer essa tarefa, é valioso o convite-conselho do apóstolo Paulo, escrevendo aos Romanos: cultivar atitudes nobres, desinteressadas, marcadas pela generosidade. Esse exercício fará de cada pessoa um bem-aventurado, feliz promotor da paz. E um mundo novo será possível.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte
Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)

Ilustração: Jornal Estado de Minas

 

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