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[Artigo] O amor de Deus se manifesta na atitude do ser humano - Neuza Silveira

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Pergunta-se: Como podemos compreender e viver o amor de Deus?  Como o cristão interpreta o mandamento do amor?

Podemos começar respondendo a partir do maior e mais antigo mandamento do Antigo Testamento; “Ama teu próximo como a ti mesmo”. Será que é só um mandamento do Antigo Testamento? Não é também um mandamento de Jesus? Este mandamento encontra-se exatamente em Lv 19,18b, no Código de Santidade; mas também é um mandamento de Jesus.

A vontade de Deus é que sejamos santos, porque ele é santo. A santidade é a realidade própria de Deus e ele a tornou apropriada para o ser humano e nada exige dele a não ser amar. Ser santo é dom; é pura manifestação do seu amor e da sua graça quando o ser humano a ele busca e procura a ele configurar configurar-se.

Viver a santidade proposta por Jesus é fazer sua adesão pessoal a ele. É se colocar no caminho, pois ele desce e vem caminhar conosco, viver no meio de nós. Ele está presente e nos convida a viver sua santidade junto ao povo assumindo a compaixão, a misericórdia e o perdão, testemunhando as bem-aventuranças.

Viver essa santidade de Jesus é viver o mandamento do amor que ele nos ensinou. “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo com a ti mesmo”. Para compreendermos o mandamento do amor, na Bíblia, não podemos pensar em apenas sentimento, porque ele deve ser demonstrado por meio de atos. 

Em Levítico 19,17-18 – o mandamento do amor – estes dois versículos estão ensinando a convivência humana. Os verbos que chamam a atenção são amar e odiar. 

Primeiro proíbe aos Israelitas de odiarem seu irmão. Pergunta: é possível proibir sentimentos? Mas será que odiar em Levítico significa sentimento? O versículo 17 não fala de sentimento, pois o ser humano hebraico não sente com o coração. O coração é lugar do pensamento, da razão e da vontade, (cf. Gn 6,5 e 8,21). O coração é o órgão com o qual se planeja e projeta.

Assim, Lv 17 diz: não odeies teu irmão em teu coração significa: tu não deves planejar nada de mal contra teu próximo. Pode-se dizer: o não odiar em Lv 17 significa dar ao próximo a possibilidade de endireitar seu delito, de compensa-lo para assim restabelecer a justiça dentro da comunidade e prevenir-se contra uma sanção divina. Este conceito faz paralelo com Mt 18,15-17 – recomenda-se à comunidade cristã admoestar um pecador em seu meio, para que ele possa voltar à comunhão da salvação.

Vejamos Lv 19,18: “não te vingarás e não guardarás rancor contra os filhos do teu povo. Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou Iahweh”.  Este versículo diz: “proíbe exercer vingança e guardar rancor contra um compatriota”. É uma recomendação para ajudar o outro na adversidade.

Se em Lv 19,18, o Mandamento do Amor é voltado apenas para o irmão, o membro do próprio povo, em Lv 19,33-34 o amor é também para o migrante. “Ame o estrangeiro, pois foste um estrangeiro na terra do Egito”, diz o Senhor. Assim, cumprindo o mandamento do amor: estrangeiros devem ser amados como alguém ama a si mesmo.

Como podemos entender o Mandamento no Novo Testamento?

Encontramos o grande Mandamento do Amor narrado por Jesus em Mc 12,29-31. O primeiro é: “Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu pensamento e com toda a tua força. Eis o segundo: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há mandamento maior do que estes”.  Para Jesus estes mandamentos são inseparáveis.

Ao narrar o primeiro Mandamento, Jesus está citando Dt 6,5: Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com todo o teu ser, com todas as tuas forças.

O amor a Deus em primeiro lugar, que encontra sua expressão prática na atitude do ser humano obedecer aos mandamentos, ser fiel às prescrições. Também o encontramos citado em Deuteronômio 10,12 nos dizendo que cumprir o Mandamento do amor é: temer ao Senhor, andar em seus caminhos e servi-lo. 

O segundo Mandamento de Jesus é: “amar ao próximo como a si mesmo”. Tanto o mandamento veterotestamentário do amor quanto o neotestamentário diz ‘amar como a ti mesmo’.  Amar a si mesmo significaria, antes de tudo, preocupar-se com a preservação do corpo e da vida, cuidar de si. 

A parábola do Bom Samaritano (Lc 10,25-37), que em Lucas prolonga o diálogo de Jesus com o doutor da lei sobre os dois mandamentos, o amor a Deus e ao próximo, tematiza o mandamento do amor. Quem é meu próximo? É aquele que me ajuda e aquele que precisa de minha ajuda. Amor é elemento essencial da religião.

Deus recomenda a mim o próximo. Jesus, ao interpretar a lei coloca no centro a pessoa humana. Jesus chama todos a assumir responsabilidades pelo bem do próximo ou da próxima. Esta é a ótica do seu ensinamento. Cumprir o Mandamento do Amor, porque ele nos capacitou a amar e nos deu a conhecer as bem-aventuranças do amor.

Que continuemos cumprindo esse Mandamento do Amor a cada dia, renovando-o no nosso caminhar, em cada Celebração Eucarística, na certeza do Novo que vem e nos traz a esperança de sempre encontrá-lo nos sinais da história, no rosto dos irmãos, nos apelos dos que sofrem e que buscam a libertação.

Neuza Silveira de Souza

Coordenadora do Secretariado Arquidiocesano Bíblico-Catequético de Belo Horizonte



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