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[Artigo] Na Eucaristia partimos um único pão – Neuza Silveira, Secretariado Arquidiocesano Bíblico-catequético de BH

Na Eucaristia está a presença real de Jesus Cristo. Em João 6,56-57 Jesus disse: “Aquele que come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. E como o Pai, que é vivo, me enviou e eu vivo pelo Pai, assim aquele que comer de mim viverá por mim”.

Vimos que, pela Eucaristia, Jesus nos convida, hoje, a tornarmos partícipe da sua vida de ressuscitado e, assim, ser responsável pela vida do irmão, estabelecendo uma relação semelhante àquela que ele e seus discípulos tiveram.

Aprendemos, também, nos evangelhos, que a Eucaristia é o fermento da ressurreição para os que creem (cf. Jo 6,39.40.44; 5,21-29). Receber o pão e o vinho da Eucaristia significa assumir em nós mesmos a vida dada que Jesus entregou, até morrer por todos nós, em corpo e sangue. Significa ‘comunhão’, ‘comum união’ com esta vida; comum união com os irmãos.

Na caminhada evangelizadora da Igreja, aprendemos com a catequese a educar a nossa fé para o seguimento de Jesus, uma fé que é vivida e celebrada junto com a comunidade cristã. Essa integração fé e vida, liturgia e catequese nos coloca no caminho do entendimento do evento da última Ceia celebrada por Jesus e seus discípulos: assim como os primeiros cristãos se reuniam, aos domingos, para agradecer e louvar a Deus e chamavam essa reunião de Eucaristia, nós também nos reunimos para louvar e agradecer a Deus e chamamos essa reunião de Missa. Nessa reunião Jesus está sempre conosco, também louvando a Deus Pai.

E o que é a Missa?

A palavra Missa vem do latim “missão” que significa “ação de enviar”, “fazer andar”, “impelir”. Então, ao sair da missa, temos o compromisso da missão. Somos impelidos a sair e fazer uma ação. A missa é muito importante para os cristãos católicos. A comunhão eucarística nela oferecida, fortalece a todos e os fazem mais irmãos. Na estrutura da missa, composta por vários ritos para celebrarmos os mistérios da vida do Cristo, está a oração eucarística como ápice do momento da celebração. Ela nos convoca para fazermos um memorial do momento em que Cristo deu a sua vida por nós.

Memorial é um conceito de origem hebraica e é usado desde Moisés quando ele, em nome de Deus, ao prescrever o ritual da ceia Pascal dos hebreus, diz: este dia será para vocês um memorial, pois nele celebrarão a festa do Senhor. Será um rito permanente, de geração em geração (Ex 12; 14; 17,24).

Com idêntica compreensão, os cristãos celebram a Ceia do Senhor, em atenção a esta palavra de Jesus: “Façam isto em memória de mim”! (1Cor 11,24-25). A consagração é o coração da prece eucarística. Terminando a oração com as palavras: por Cristo, com Cristo e em Cristo estamos pedindo a Deus que nos introduza ao reino definitivo para podermos glorificá-lo sem fim. Nesse momento, ativamos todos os nossos sentidos e nos deixamos transportar para aquele momento experiencial que Jesus viveu com seus discípulos. Podemos saborear esse momento atentos à celebração que acontece na mesa do altar.

ORAÇÃO EUCARÍSTICA – Vejamos a sua estrutura

A oração eucarística nos orienta para a finalidade última de nossas eucaristias, afirmando que o corpo sacramental está orientado à nossa transformação “em um só corpo”, o corpo eclesial.
(CESARE GIRAUDO – Redescobrindo a Eucaristia)

Diálogo invitatório – De origem bíblico-judaica, tem a função de preliminar constante em todas as preces eucarística; Estabelecer a relação cultual entre a Assembleia e Deus, pondo o parceiro humano em orientação de mente e coração para com o parceiro divino. Trata-se de uma exortação para entrarem na tensão relacional requerida pela celebração da eucaristia. Consta de três elementos:
O senhor esteja convosco – Ele está no meio de nós
A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito santo estejam com todos vós (2Cor 13,13) – E com teu Espírito.
(Ou) Coração ao alto – Nós o temos no Senhor.
Demos graças ao Senhor nosso Deus – É digno e Justo.

Elementos da Oração Eucarística:

-prefácio

-Sanctus

-pós-Sanctus
-primeira epiclese (para a transformação das oblatas)
-narrativa da instituição
-anamnese (oferecimento do memorial)
-segunda epiclese (para a transformação escatológica dos comungantes)
-intercessões
-doxologia final.

A prece eucarística se articula em uma seção de ação de graças e uma seção de súplica.
A Ação de graças – um louvor intenso e apaixonado, no qual evoca a história de relações que é história da fidelidade de Deus e história de nossas infidelidades, história de nossas quedas e história da irrenunciável vontade divina em fazer-nos levantar de novo. Fortalecida por essa premissa, a Igreja em oração poderá depois dirigir a Deus sua súplica confiante.

Ação de graças

Uma reflexão sobre a teologia do prefácio, canto do Sanctus e o Pós-sanctus.
Inicia-se com o prefácio – inicio do discurso orante.
Prefácio = Vem do verbo prae-fari, que significa “proclamar”.
O prefácio e a introdução dos santos – 4ª oração
‘Na verdade, ó Pai……Até Santo, Santo, Santo…
Esse prefácio tem o tema La luz dominante. Resume bem o mistério de Deus. Deus é louvado porque, embora “habitando uma luz inacessível” quis circundar-se de criaturas para alegrá-las com o clarão de sua luz.

Sanctus – O emprego do Sanctus na liturgia judaica é atestado em primeiro lugar por uma oração que se recita duas vezes ao dia, quando o sol desponta no horizonte e quando se põe. Nessa oração, Deus é glorificado como criador da luz, do sol, da lua e das estrelas. Enquanto as criaturas astrais louvam a Deus dando luz à terra, as criaturas angélicas cantam sem cessar um hino que une o Sanctus dos Serafins (cf.6.3) e o Benedictus dos querubins (cf. Ez 3,12).

O cristianismo herdou, portanto, da espiritualidade judaica o hino angélico e sua rica teologia. Uma boa compreensão da teologia do Sanctus é oferecida na anáfora de São Tiago, que é a oração da antiga Igreja de Jerusalém. Além da menção ao louvor que Deus recebe das criaturas cósmicas e angelicais, aparece também a menção à Jerusalém Celeste.

Pelo canto do Sanctus, a liturgia eucarística convida a voltar um olhar confiante, em particular sobre nossos defuntos, que naquele momento, estão em posição privilegiada com relação a nós. Com o Sanctus, que nos sintoniza com a Jerusalém Celeste, nossas vozes se fundem e se confundem num coro imenso que canta a grandeza de Deus.
Pós-Sanctus – Uma continuação do louvor. Apresenta uma profundidade histórico-salvífica verdadeiramente exemplar. Depois da comemoração do Evento de Adão, sucede-se a comemoração, primeiro da história veterotestamentária e, então, da história neotestamentária. Esta última percorre os momentos fortes da cristologia histórica, da encarnação a Pentecostes, isto é, até o envio histórico do Espírito de santificação.

Súplica

Primeira Epiclese (significa súplica, petição, pedido) – “epiclese para a transformação das oblatas”. Esse pedido empenha o poder divino para que opere a transubstanciação e introduz o quinto elemento, a narrativa da instituição, com a qual forma a unidade em vista da transubstanciação. Reconhecemos que a consagração é o coração da prece eucarística. Todos são convidados a cada dia redescobrir a interação mútua e imprescindível entre esse coração, que contém em si o mistério da presença real permanente, e todos os outros elementos da prece eucarística.

Anamnese (significa memorial, memória) – Ela é introduzida pela admonição inicial (advertência pública): “Mistério da fé”.
A anamnese é a oferta do memorial eucarístico. Com ela, a Igreja em oração adere ao mandamento de Jesus: “Fazei isto [o sinal do pão e do cálice] em memória de mim [morto e ressuscitado]. Primeiro, pela “declaração anamnética” (“celebrando a memória…”) torna presente a Deus Pai que está fazendo o memorial da morte e ressurreição do senhor; depois, com a “declaração ofertorial” (“nós vos oferecemos…”), oferece ao Pai o pão e o cálice eucarísticos, o memorial da nova aliança. Assim, memorial e oferta são as duas dimensões próprias e imprescindíveis de toda a “anamnese”.

Epclese – Como sétimo elemento a epclese para a transformação escatológica dos comungantes. “E nós vos suplicamos…….”. Segundo o teólogo medieval Tomaz Netter von Waldem (1430), a Igreja é como o “corpo místico de Cristo no qual cada cristão é transubstanciado por meio da recepção da eucaristia”, nós nos valemos dele para descrever a segunda epiclese como súplica por nossa “transubstanciação” no corpo eclesial, graças exatamente a nossa comunhão no corpo sacramental. E assim, tornamo-nos substancialmente assembléia escatológica, membros harmoniosamente unidos a Cristo, “a cabeça do corpo que é a Igreja” (Cl 1,18).

Intercessões – esse pedido pela transformação “num só corpo” é ampliado a todas as outras porções da Igreja que, no momento da celebração, não estão fisicamente presentes.

Doxologia final ou conclusão de louvor: Por Cristo, com Cristo e em Cristo, a vós Deus Pai todo-poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda honra e toda glória, agora e para sempre. Pedimos a Deus que nos introduza ao reino definitivo para podermos glorificá-lo sem fim.

Porque comungamos?

Segundo São João Crisóstomos – celebramos a Eucaristia para obter “a lucidez do espírito,  a remissão dos pecados, a comunhão com o espírito Santo, a plenitude do reino do céu, a confiança perante vós”.

Em outras palavras (segundo Giraudo): a presença real não nos foi dada só para que possamos adorar a Cristo sob as espécies eucarísticas; a comunhão não nos foi dada principalmente para que possamos encontrar e receber no coração o amigo Jesus, a quem fazemos, por alguns instantes, uma fervorosa e afetuosa companhia. O Senhor não instituiu a eucaristia em função de nossos olhos que a contemplam. Ele a instituiu em função de nossas bocas que se nutrem dela: instituiu-a para que a comêssemos. Esse é o ensinamento autorizado da epiclese eucarística, considerada simultaneamente como súplica pela transformação das oblatas e como súplica por nossa transformação escatológica. As duas epicleses constituem uma súplica teologicamente densa que explicita o porquê de nossas celebrações eucarísticas e de nossas comunhões:
Trata-se do grande pedido, com o qual a assembléia, pela boca de seu presidente, pede ao Pai que envie o Espírito Santo sobre o pão e sobre o vinho para transformá-los no corpo sacramental (“epclese sobre as oblatas”), a fim de que todos os que receberem a comunhão sejam transformados “num só corpo”, o corpo eclesial (“epclese sobre os comungantes”).

Escatologia = Estuda as coisas que devem acontecer no fim dos tempos, no fim do mundo. Uma doutrina que trata do destino final do homem e do mundo; pode apresentar-se em discurso profético ou em contexto apocalíptico.

Neuza Silveira de Souza – Coordenadora do Secretariado Arquidiocesano Bíblico-Catequético de Belo Horizonte.

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